O que tem valor negativo vira positivo, o lixo vira insumo, o problema se transforma em riqueza. Foi assim com 300 serrarias de rochas ornamentais de Santo Antonio de Pádua, noroeste do Rio de Janeiro, que gastam hoje 90% menos água e vêm resíduos agressivos ao meio ambiente transformados em matéria-prima para a construção. E todo o processo, de baixo custo, pode ser aplicado em outras áreas do País, afirma o pesquisador José Carlos Rocha, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), uma das entidades envolvidas no desenvolvimento de soluções para as mais diversas áreas de produção.

Com o uso de uma tecnologia, as serrarias passaram a reaproveitar a água utilizada no corte das rochas, além de separar o pó residual, que antes contaminada o solo e hoje é usado na fabricação de 20 mil toneladas de argamassa por mês na recém-inaugurada fábrica Argamil, do Grupo Mil. A técnica foi desenvolvida em parceria entre o INT e o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

O Cetem desenvolveu o processo de separação dos resíduos da água, captando-os em tanques, o que, além de permitir o acúmulo do pó fino para utilização posterior, viabilizou a reutilização da água. O processo resolveu o problema da poluição de córregos e riachos locais ou a guarda da lama resultante em tanques escavados no solo. O INT identificou três possíveis usos para o pó fino: composições de telhas e tijolos, artefatos de borracha e argamassa industrial. “Em função das oportunidades e da própria característica da região de Pádua, o INT sugeriu a fábrica de argamassas”, diz Rocha.

A produção limpa deu uma nova visão ao arranjo produtivo local de rochas ornamentais da região, que emprega 6 mil pessoas. Para garantir a matéria-prima, 76 serrarias construíram tanques de decantação que separa o pó e permite o reaproveitamento da água, uma economia de 345 mil litros de água por máquina de corte, informa o presidente do Sindicato de Extração e Aparelhamento de Gnaisses do Noroeste Fluminense, João Batista Fernandes Lopes.

Segundo a assessoria do Ministério de Ciência e Tecnologia, o presidente do sindicato prevê que em dois anos o pólo, que produz 420 mil metros quadrados de pedras por mês, vai estabelecer um novo marco com a inauguração de fábrica de fertilizantes para reutilizar os resíduos produzidos pelas pedreiras.

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