O ideal de “jovem rebelde” que existia no passado deu lugar quele que procura, em primeiro lugar, a realização profissional e estabilidade. A mudança de comportamento do adolescente foi levantada recentemente por uma pesquisa realizada pelo Datafolha, que entrevistou 1.541 jovens em 168 cidades do país.
As informações são de Contardo Calligaris, psicanalista, doutor em psicologia clínica (Université de Provence) e colunista da Folha. Ouça outros podcasts da série “Livros”.
O levantamento indica que um terço dos jovens tem a realização profissional como o maior sonho da vida deles. Hoje, o Brasil tem 35 milhões de pessoas entre 16 e 25 anos, o que representa 19% da população.
“De alguma forma, os jovens estão sonhando cada vez menos, sonhando pequeno. Eles têm sonhos cada vez mais parecidos com a trivialidade da vida dos adultos”, afirma Calligaris.
Para o psicanalista, as pessoas estão mais realistas e menos idealistas. A surpresa do adulto com essa mudança de comportamento, segundo Contardo, é que suas expectativas em relação aos mais novos era de que eles teriam que realizar aquilo que os mais velhos não puderam ou foram privados por alguma razão.
“Os adultos imaginariam facilmente que os adolescentes pudessem sonhar com aquelas coisas que estão além do que a gente sonha habitualmente. Sonhassem com aventuras, experiências extraordinárias e possibilidades de vida diferentes do que parece oferecer o mercado de trabalho. É como se, cada vez menos, os jovens fossem encarregados de encenar os sonhos frustrados dos adultos”, explica Calligaris.
Contardo Calligaris é autor de Folha Explica-Adolescência, “Crônicas do Individualismo Cotidiano” (Ática, 1996), “Hello Brasil!” (Escuta, 2000 [6a ed.]). Tem também vários textos publicados em revistas e antologias, entre elas “Ilha Deserta - Livros” (Publifolha, 2003).
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