Eis um texto que eu gostaria de ter escrito. Perfeito! Por dessas ironias, o nome do autor é Márcio Alemão.
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Márcio Alemão
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E o tal Diego, dito Alemão, para minha enorme tristeza, declarou-se revoltado com o imposto que teve que pagar. Onde já se viu? R$ 275 mil sobre o milhão que faturou. Uma enorme e gigantesca injustiça.
Se eu fosse ele, iria para a briga. Com o dinheirinho que sobrou, os míseros R$ 725 mil, eu contrataria um bom advogado e não deixaria barato. E não tenho dúvida que venceria a causa.
Pensem comigo: imposto é coisa que se cobra, e muito, de trabalhadores. Também se cobra, e muito, da indústria, do comércio e da prestação de serviços.
Acompanhem pois o meu raciocínio: existe imposto sobre a vadiagem? Não me refiro vadiagem no sentido jurídico, que pode dar cana, mas aquela que é sinônimo de vida ociosa. Não que eu saiba e, pelo que sei, o tal Alemão não fez outra coisa além de vadiar durante os meses que passou na casa.
Imposto sobre a produção existe. Mas esse camarada produziu alguma coisa durante o período de confinamento? Produziu gas carbônico, produziu lixo, produziu a cizânia, produziu inveja e acredito que algum tipo de desejo nas meninas de fraca inspiração e informação. Mas nada disso pode ser taxado.
Diego foi para a casa justamente para não produzir nada. Ele e os demais participantes. Poderiam, a exemplo de outros detentos menos privilegiados, ter aprendido um ofício. Poderiam fazer móveis que seriam doados a quem necessita. Roupas, artesanato, não importa. Como o mundo é repleto de gente estranha, essa gente que acompanhou o dia-a-dia da vadiagem na casa, esses produtos poderiam ir a leilão. Imagine quanto não se arrecadaria por um apoiador de copo feito em cortiça pelas mãos do campeão Alemão. Um colarzinho de miçangas feito por qualquer uma das moças.
Nada disso aconteceu e o que se viu foi apenas um tedioso passar de dias repletos de intrigas pequenas, problemas menores, vitórias infantis, conquistas desprezíveis.
Por isso volto a dizer que Diego deve brigar. Ele não pode estar no mesmo nível de um trabalhador que paga impostos. Alguém terá coragem de dizer que ele produziu audiência e isso trouxe anunciantes e etc. etc. etc.? É provável que venha a constar nos autos.
E a Receita Federal deveria considerar seriamente o assunto. Na minha opinião, deveria reter 99% do valor do prêmio.
Márcio Alemão é publicitário, roteirista, colunista de gastronomia da revista Carta Capital, síndico de seu prédio, pai, filho e esposo exemplar.
Fale com Márcio Alemão: marcio.alemao@terra.com.br
(http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1551230-EI6616,00.html)
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