Inglesa identifica câncer raro em foto de bebê

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A inglesa Madeleine Robb identificou um tumor maligno raro nos olhos da filha de uma amiga que mora no Estado americano da Flórida por meio de uma foto enviada por e-mail.

Robb, que mora na cidade de Stretford, no sudoeste da Inglaterra, conheceu a americana Megan Santos em um fórum na Internet porque suas filhas haviam nascido no mesmo dia.

As duas começaram a trocar e-mails com freqüência, mas nunca se conheceram pessoalmente.

Em uma das mensagens enviadas por Santos, ela adicionou fotos do aniversário de um ano de sua filha, Rowan. Ao ver as fotografias, Robb percebeu uma mancha branca nos olhos da menina e enviou um e-mail para a amiga aconselhando que procurasse ajuda médica.

Santos levou sua filha ao médico, que a diagnosticou com um tipo raro de câncer conhecido como retinoblastoma. O tumor atinge principalmente as crianças e pode ser fatal se não for tratado no estágio inicial.

Reflexo
Robb conta que assim que viu as fotografias sabia que algo estava errado, já que o reflexo branco nos olhos de Rowan aparecia em todas as imagens.

“Eu reconheci por causa de algo que li em um artigo no jornal”, disse.

“Enviei um e-mail para Megan dizendo que seria importante ela checar a mancha com um médico”, afirmou.

A mãe decidiu levar a criança ao médico no mesmo dia e disse que nunca poderá agradecer à amiga por correspondência o suficiente.

“Se Madeleine não tivesse percebido isso, talvez iríamos demorar para levar Rowan ao hospital”, disse.

A criança irá perder o olho esquerdo, mas os médicos afirmam que as chances de sobrevivência da menina são muito maiores porque a doença foi diagnosticada no estágio inicial.

“Eu gostaria de poder encontrar Madeleine pessoalmente e dar-lhe um abraço, já que ela é a razão pela qual vamos ter nosso bebê no seu segundo aniversário”, disse Santos.

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Pirataria via Internet: para vencê-los aprenda com eles

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A pirataria via Internet está disseminada e não há como controlar. Não mesmo. As grandes empresas de músicas/filmes/softwares promovem atitudes de caçar usuários de P2P como se isso fosse resolver alguma coisa. Puro ludismo!

1) Vale a pena ele comprar um CD, que contém de 10 a 13 músicas por R$20? Ou um download de torrent/emule contendo centenas de músicas ou toda discografia de seu artista preferido? Chris Anderson, autor de Cauda Longa disse que na China os artistas nem se preocupam mais com a pirataria e a usam para divulgar seus produtos. Com isso ganham dinheiro com shows e apresentações (fonte: info online).

2) Comprar um DVD por R$30 quando ele pode baixar de graça? Ou mesmo ver na Web? E a Viacom processando o Google-Youtube por deixar seus usuários postarem vídeos “proprietários”? Tudo isso adianta? E os downloads de filmes em alta definição?

3) Os fãs de Harry Potter traduziram on-line o último livro e o publicaram na Internet. Vamos caça-los e prendê-los?

4) As grandes empresas de software perdem milhões com pirataria via Internet? Ou esses downloads servem apenas para incentivar e treinar novos usuários? Para quem não sabe as grandes empresas ganham na verdade em vendas corporativas, onde vendem milhares de licenças. Qual será o software que o usuário doméstico vai querer usar na sua empresa ou vai tentar convencer seu patrão a comprar? Claro que é aquele que ele baixou via Internet e usou.

Simplesmente os piratas oferecem um produto melhor em termos de custo/benefício para o usuário final.

Eles são mais ágeis em transformar o meio digital em informação e transferí-lo via Internet. Temos que aprender com eles. Entender suas técnicas e depois criar um modelo de negócios que consiga ser justo principalmente para o artista.

Para entender mais profundamente essa mudança você pode baixar um e-book de grátis Pirate’s Dilemma.

dilema pirata

O autor Matt Mason incentiva que “pirateiem” seu livro em .pdf. Segundo ele, isso fará a versão “física e real” do livro venda mais (será que não foi isso que aconteceu com Tropa de Elite?). Ele afirma que Paulo Coelho já está distribuindo seus livros de maneira on-line :)

O mundo mudou. Aceite isso.

Obs: por esse motivo, meu conteúdo é de livre distribuição. Creative Commons. Use como quiser. Basta citar a fonte :)

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ReWalk: uma nova esperança!

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A empresa Israelita Argo Medical Technologies,especialista em tecnologia aplicada à medicina, desenvolveu um exoesqueleto que ajudará pessoas paraplégicas a movimentarem-se. Tarefas do quotidiano como caminhar, subir escadas, sentar e até mesmo conduzir poderá ser possível com este novo aparelho!

O exoesqueleto, denominado por ReWalk,foi desenvolvido por Amit Goffer, director da Argo Medical e inventor da ideia. Após o seu trágico acidente em que ficou tetraplégico, Amit dedicou-se a esta causa originando um projecto avaliado em 30 milhões de dólares. O ReWalk é constituído por motores de corrente contínua, baterias recarregáveis, suporte para os membros superiores, um conjunto de sensores que interagem com o utilizador e um sistema de controlo.

Ao ser ativado, o ReWalk detecta os movimentos da parte superior do corpo iniciando-se então a caminhada. De forma a manter a estabilidade e segurança do procedimento, são utilizadas muletas de forma a auxiliar o utilizador.

No vídeo abaixo, você pode ver um utilizador do ReWalk, paraplégico há 20 anos. Impressionante o fato de conseguir realizar tarefas básicas autonomamente:

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cuil: a reinvenção da busca na web?

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depois de passar mais de dois anos como o segredo mais bem guardado do vale do silício, o engenho de busca cuil [do gaélico para conhecimento, pronunciado como em cool] está no ar a partir de hoje. segundo a home page e os press-releases espalhados cuidadosamente pela web [veja este aqui em techcrunch] a máquina cobre mais de 120 bilhões de páginas, o que deixa qualquer outro sistema de indexação e busca no chinelo. pelo que se sabe [por baixo do pano] google indexa 40 bilhões de páginas, apesar de dizer que “sabe” de algo da ordem de um trilhão.

cuil-image.jpg

mas o principal [se funcionar mesmo, pra muita gente] é que eles dizem ser melhores do que google: Cuil also claims to have better search results than Google and others based on how they index websites. They do not simply catalog keywords on a site and then rank the site based on its importance. They also work to understand how words are related (France - cheese - wine, for example), to return more relevant results to users.

no topo disso, o pessoal da engenharia por trás no novo buscador [gente que veio de stanford, google e ibm, entre outros lugares, com experiência em projetos gigantescos] diz que cuil é muito mais barato: Cuil’s technology allows it to query indices on between one and three machines, which provide relevant results, rather than the 10,000 servers utilised by Google per query. It would have the capacity to serve 5 per cent of all search traffic at launch, but could easily scale to handle any demand.

segundo anna patterson, vp de engenharia, cuilisn’t trying to be a Google killer — it’s trying to reinvent search. tom costello, que fez doutorado em stanford [orientado por uma das lendas vivas da computação, john mccarthy], co-fundador, presidente [e marido de anna] diz que eles estão tentando construir um sistema de busca contextual, uma tentativa de entender o mundo real, e não apenas sua representação na web. cuil não guarda informação sobre as buscas que fazemos [e assim não deixamos rastro], o design é diferente dos engenhos de busca atuais, há um mecanismo de sugestões… enfim, um monte de coisas novas ao mesmo tempo.

analistas do setor estão impressionados. segundo greg sterlingThese are search people who are not building a product they want to sell quickly. They are not about trying to make a lot of money in a short period of time. They are building what they believe is the next-generation search engine.

como se não bastasse, cuil não é beta, quebrando a tradição, na web 2.0, de lançar sistemas que ainda não estão prontos para o dia-a-dia. segundo anna e tom, cuil está pronto e pode tratar 5% do total de buscas da web a partir de seu lançamento formal, hoje [segunda], e pode escalar de forma rápida e barata para atingir tanto quanto for necessário. cuil é o resultado, também, de 30 pessoas trabalhando e US$33 milhões de dólares de financiamento no estágio inicial do negócio.

vale a pena dar uma olhada. acho que ainda há muito a fazer por lá. do que eu testei, alguns resultados foram muito bons, outros nem tanto e alguns não deram em absolutamente nada. mesmo assim, se eu estivesse no negócio de busca, iria prestar muita atenção neste povo. depois de yahoo e google, cuil é a mais nova promessa, saída da mesma matriz de conhecimento -stanford university-, a querer liderar a busca na rede. como cada um dos outros dois foi o sistema dominante de sua geração… talvez seja a hora de google pôr as barbas de molho.

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Tecnologia transforma lixo em riqueza

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O que tem valor negativo vira positivo, o lixo vira insumo, o problema se transforma em riqueza. Foi assim com 300 serrarias de rochas ornamentais de Santo Antonio de Pádua, noroeste do Rio de Janeiro, que gastam hoje 90% menos água e vêm resíduos agressivos ao meio ambiente transformados em matéria-prima para a construção. E todo o processo, de baixo custo, pode ser aplicado em outras áreas do País, afirma o pesquisador José Carlos Rocha, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), uma das entidades envolvidas no desenvolvimento de soluções para as mais diversas áreas de produção.

Com o uso de uma tecnologia, as serrarias passaram a reaproveitar a água utilizada no corte das rochas, além de separar o pó residual, que antes contaminada o solo e hoje é usado na fabricação de 20 mil toneladas de argamassa por mês na recém-inaugurada fábrica Argamil, do Grupo Mil. A técnica foi desenvolvida em parceria entre o INT e o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

O Cetem desenvolveu o processo de separação dos resíduos da água, captando-os em tanques, o que, além de permitir o acúmulo do pó fino para utilização posterior, viabilizou a reutilização da água. O processo resolveu o problema da poluição de córregos e riachos locais ou a guarda da lama resultante em tanques escavados no solo. O INT identificou três possíveis usos para o pó fino: composições de telhas e tijolos, artefatos de borracha e argamassa industrial. “Em função das oportunidades e da própria característica da região de Pádua, o INT sugeriu a fábrica de argamassas”, diz Rocha.

A produção limpa deu uma nova visão ao arranjo produtivo local de rochas ornamentais da região, que emprega 6 mil pessoas. Para garantir a matéria-prima, 76 serrarias construíram tanques de decantação que separa o pó e permite o reaproveitamento da água, uma economia de 345 mil litros de água por máquina de corte, informa o presidente do Sindicato de Extração e Aparelhamento de Gnaisses do Noroeste Fluminense, João Batista Fernandes Lopes.

Segundo a assessoria do Ministério de Ciência e Tecnologia, o presidente do sindicato prevê que em dois anos o pólo, que produz 420 mil metros quadrados de pedras por mês, vai estabelecer um novo marco com a inauguração de fábrica de fertilizantes para reutilizar os resíduos produzidos pelas pedreiras.

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De incas venusianos ao ultra-pós-moderno

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Chegou o tão esperado terceiro milênio e, a não ser pela enxurrada de comentários e programas que especulam sobre o futuro da televisão, nada mudou na minha telinha a não ser a própria. Quando comecei a escrever na Internet sobre televisão tinha uma charmosa Telefunken (caixa de madeira, seletor quase mecânico e sem controle remoto), hoje substituída por um aparelho estéreo de 29 polegadas.
Fora isso… nada. Um nada em tantas línguas quanto as abrigadas na NET, TVA, DirecTV ou SKY.
Sou míope e algumas vezes me utilizo desta deficiência (???) em causa própria. Tiro os óculos ou as lentes de contato para, deliberadamente, não enxergar o desagradável. Para que uma visão perfeita se não existe perfeição a ser vista?
Toco neste assunto por conta da enxurrada de artigos publicados em jornais e revistas do mundo inteiro e mencionados lá em cima, no primeiro parágrafo.
TV de altíssima resolução… TV interativa… TV em banda larga… TV… TV… TV…
OK! Investi uma pequena fortuna em um aparelho tela plana que vale mais que minha Honda Dream, e o que vejo? Mais detalhes do rosto enrugado do velho Rei em seu tradicional especial de fim de ano. A fina penugem que recobre a bela face de Vera Fischer.
O que ouço no refinado som estéreo? As vozes enjoativas de Gugu Liberato e Xuxa (como podem fazer sucesso com aquelas vozes tão chatas?).
Entramos no terceiro milênio e o homem continua o mesmo.
A dramaturgia humana ainda só se interessa pelos mesmos velhos mitos do amor, do ódio, da vingança, do poder e da morte, temas que, misturados em doses variadas, resultam sempre nos mesmos roteiros.
Não é o futuro da TV o que me interessa. É o futuro da humanidade. E este, a considerar o que assistimos, não é muito diferente do que nossos ancestrais viveram.
Édipo pode ter sido substituído por Dawson (Dawson’s Creek – Sony), Medéia foi trocada por Lilly (Once and Again – Sony)… mas as relações pais e filhos continuam top de linha. Prosérpina era uma mãe tão opressora e invasiva quanto Alma (Laços de Família - Globo) e Fausto continua se vendendo nas milhares de tramas contemporâneas. Isto sem falar em Maria Madalena…
Um dia sentaremos em nossa poltrona marciana, ligaremos o que quer que seja que sirva para vermos o que hoje corresponde a nossa televisão… e lá estará passando um tremendo drama sobre o amor impossível entre um venusiano e uma terráquea.
Não há saída, pois, como sempre digo… nós, humanos, conseguimos inventar as maquinetas… mas ainda não sabemos o que fazer com elas. Ou pior… inventamos máquinas que cada vez mostram com mais precisão os nossos mesmos velhos sonhos.
Happy new year… humanóides.

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Publicado em 6/01/01 por Márcia Mendes Ribeiro, que é jornalista, odeia televisão, mas não consegue passar por uma sem dar uma olhada. Ela não diz, mas é também minha ex-coleguinha do Colégio Cruzeiro do Sul e diretora do departamento de promoções (ou algo assim) da Cruzeirossauros, nossa entidade sem fins lucrativos (quase uma ONG), que reúne esses espécimes, por assim dizer, em extinção.

Ajude a sustentar a Wikipédia e outros projetos, sem colocar a mão no bolso, e concorra a um Eee PC!

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Ajude a sustentar a Wikipédia e outros projetos, sem colocar a mão no bolso, e concorra a um Eee PC!
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Aluno supera paralisia e faz monografia inovadora

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Um estudante do 6º semestre de Jornalismo do Centro Universitário Metodista IPA, em Porto Alegre (RS), superou as dificuldades causadas pela paralisia cerebral de que é portador desde o nascimento para produzir uma monografia de conclusão de curso de forma inédita. Eduardo Purper, 22 anos, inspirou-se em sua maior paixão, o futebol, para realizar um estudo totalmente gravado em áudio, que recebeu o título de “Análise Semiológica de Narrações de Futebol”.

A produção de uma espécie de documentário de rádio foi a maneira encontrada por “Dudu”, como é conhecido pelos colegas de turma, para ultrapassar as limitações de coordenação motora sem precisar que alguém escrevesse o material.

Na pesquisa, o estudante analisou os indícios de preferência nos comentários dos narradores esportivos das rádios Gaúcha e Guaíba por algum dos times da dupla Grêmio ou Internacional. Para Eduardo, a maior dificuldade foi desenvolver as teorias. “Foi complicado aliar o que analisei aos conceitos de teóricos, mas meu pai gravou em fitas o que eu anotava nos livros”, explicou.

O trabalho é todo produzido na voz do aluno e as citações bibliográficas são narradas pelo operador da rádio IPA, Leandro Nunes.

O estudante faz parte da primeira turma de Jornalismo do Centro Universitário Metodista e, de acordo com Lisiane Pereira, assessora do Serviço Social do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (COEPDE), não existe registro de monografia similar no Estado.

Cristiano Nunes, gerente administrativo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, afirmou que “Dudu” será o primeiro jornalista com paralisia cerebral do Estado.

A professora orientadora do trabalho, Mariceia Benetti, informou que Eduardo sempre acreditou que conseguiria concluir o projeto e se empenhou muito para atingir o objetivo. “Mesmo com as limitações físicas ele nunca teve medo do desafio, foi excelente, pois cumpriu com todos os processos propostos e sempre ia além das expectativas”.

Futuro jornalista
A um passo de se tornar jornalista, Eduardo Purper aguarda ansioso pela avaliação da banca julgadora da universidade, que ocorrerá na próxima quinta-feira, às 15h, no estúdio de rádio da unidade central do IPA, localizada na Rua Joaquim Pedro Salgado, 80.

Segundo ele, a monografia é apenas mais um zagueiro a ser driblado. “Vejo esse como o maior obstáculo do curso até o momento, mas também creio que cresceremos muito com esse aprendizado”, completou.

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Museu celebra o verdadeiro precursor da web

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Em uma tarde enevoada de segunda-feira, a cidade medieval de Mons, na Bélgica, submersa na neblina, parece um lugar esquecido. Além da catedral gótica obrigatória, não há muito mais que ver por aqui, se excluirmos um pequeno museu chamado Mundaneum, que fica em uma rua estreita no canto nordeste da cidade. Ele parece ser uma casa isolada o bastante para abrigar o legado de um dos pioneiros perdidos da tecnologia: Paul Otlet.

Em 1934, Otlet delineou os planos iniciais para uma rede mundial de computadores (ou “telescópios elétricos”, como os designava), cujo objetivo seria permitir que as pessoas vasculhassem milhões de documentos, imagens e arquivos de som e vídeo interligados. Ele descreveu a maneira pela qual as pessoas usariam aparelhos para trocar mensagens, arquivos e até mesmo se unir em redes sociais online. Otlet designou a estrutura como “reseau”, literalmente rede, ou, concebivelmente, “web”, teia.

Os historiadores costumam traçar as origens da world wide web seguindo uma linhagem de inventores anglo-americanos como Vannevar Bush, Doug Engelbart e Ted Nelson. Mas mais de meio século antes que Tim Berners-Lee lançasse o primeiro browser, em 1991, Otlet descreveu um mundo interconectado no qual “qualquer pessoa, de sua cadeira, poderia contemplar toda a criação”.

Ainda que a proto-web de Otlet dependesse de uma colcha de retalhos de tecnologias analógicas como cartões de indexação e telégrafos, ainda assim ela antecipou a estrutura baseada em hiperlinks da web contemporânea.

“Era como que uma versão steampunk do hipertexto”, disse Kevin Kelly, ex-editor da revista Wired, que está escrevendo um livro sobre o futuro da tecnologia.

A visão de Otlet tinha por base a idéia de uma máquina operando em rede e integrando documentos por meio links simbólicos. Embora o conceito possa parecer evidente hoje, em 1934 representava uma grande inovação intelectual. “O hiperlink é uma das invenções mais subestimadas do século passado”, disse Kelly. “Mas um dia estará em companhia do rádio no panteão das grandes invenções”.

Hoje, Otlet e seu trabalho estão em larga medida esquecidos, mesmo em sua Bélgica natal. Ainda que Otlet tenha desfrutado de fama considerável durante a vida, seu legado caiu vítima de uma série de infortúnios históricos - não o menor dos quais foi a invasão da Bélgica pelos nazistas, que resultou na destruição de grande parte daquilo em que ele trabalhou durante toda sua vida.

Mas nos últimos anos um pequeno grupo de pesquisadores começou a recuperar a reputação de Otlet, publicando alguns de seus textos e arrecadando dinheiro para estabelecer seu museu e arquivo, em Mons.

Enquanto o museu Mundaneum se preparava para comemorar seu 10° aniversário, na quinta-feira, os curadores planejavam colocar parte de sua coleção na web moderna. O evento será não só uma confirmação póstuma das idéias de Otlet mas representará uma oportunidade para que sua posição na história da Internet seja reavaliada. O Mundaneum representa apenas uma curiosidade histórica, uma estrada que não foi percorrida? Ou a visão de seu criador pode ajudar a compreender a web tal qual a conhecemos hoje?

Ainda que Otlet tenha passado toda sua vida de trabalho na era anterior aos computadores, ele tinha notável senso de antecipação quanto às possibilidades da mídia eletrônica. Paradoxalmente, a visão dele sobre um futuro sem papel nasceu de um fascínio que durou toda sua vida pelos livros.

Otlet, nascido em 1868, só começou a freqüentar a escola aos 12 anos de idade. Sua mãe morreu quando ele tinha três anos; seu pai era um empresário de sucesso que fez fortuna vendendo bondes em todo o mundo. O pai preferiu não matricular Otlet na escola devido à convicção de que o estudo poderia sufocar o talento natural da criança. Deixado em casa com seus tutores e poucos amigos, Otlet levava uma vida solitária e dedicada aos livros.

Quando ele por fim começou a estudar, sua primeira atitude foi procurar a biblioteca. “Eu me trancava na biblioteca e vasculhava o catálogo, que para mim era miraculoso”, ele escreveu mais tarde.

Pouco depois de começar a estudar, ele se tornou bibliotecário da escola. Nos anos seguintes, Otlet jamais deixava a biblioteca. Ainda que seu pai o tenha pressionado a estudar Direito, ele logo deixou de lado a advocacia e retornou ao seu amor primeiro, os livros.

Em 1895, Otlet conheceu um espírito irmão, Henri LaFontaine, futuro ganhador do prêmio Nobel, que se uniu a ele na criação de uma bibliografia central contendo todo o conhecimento em forma de livro existente no mundo.

Mesmo em 1895, o projeto parecia indicar uma imensa arrogância intelectual. Os dois homens decidiram que coligiriam dados sobre todos os livros que já tivessem sido publicados, bem como uma vasta coleção de artigos de jornal, fotografias, cartazes e todos os tipos de objetos efêmeros - como panfletos - que as bibliotecas formais costumavam ignorar. Usando cartões de índice (então a mais avançada forma de armazenar informações), eles criaram um imenso banco de dados em papel contendo mais de 12 milhões de verbetes.

Otlet e LaFontaine conseguiram enfim convencer o governo belga a apoiar o projeto, propondo construir uma “cidade do conhecimento” que reforçaria a campanha do governo para fazer do país a sede da Liga das Nações. O governo lhes concedeu espaço em um edifício público, e Otlet expandiu suas operações. Contratou mais funcionários, e estabeleceu um serviço de pesquisa pago que permitia que qualquer pessoa do mundo fizesse uma pergunta por telegrama ou correio - uma espécie de serviço de busca analógico. Surgiram perguntas vindas de todo o mundo, mais de 1,5 mil ao ano, sobre tópicos tão diversos quanto os bumerangues e as finanças da Bulgária.

À medida que o Mundaneum evoluía, o volume de papel começou a se tornar grande demais. Otlet decidiu desenvolver idéias para novas tecnologias que ajudassem a administrar a sobrecarga de informações. Em determinado momento, ele propôs uma espécie de computador de papel, com rodas e eixos, que moveria documentos pela superfície de uma mesa. Mas ele acabou por decidir que a solução definitiva tinha de envolver o abandono completo do papel.

Porque não existiam aparelhos de armazenagem eletrônica de dados nos anos 20, Otlet teve de inventá-los. Começou a escrever longamente sobre a possibilidade da armazenagem eletrônica de dados, o que culminou em um livro lançado em 1934, Monde, no qual ele expunha sua visão sobre um “cérebro mecânico coletivo” que abrigaria todas as informações do mundo, a qual estaria facilmente disponível por intermédio de uma rede mundial de telecomunicações.

Tragicamente, no momento em que a visão de Otlet começava a se cristalizar, o Mundaneum começou a enfrentar dificuldades financeiras. Em 1934, o governo belga perdeu o interesse pelo projeto, quando a Liga das Nações escolheu a Suíça como sede. Otlet transferiu sua empreitada a um espaço menor, e devido às dificuldades financeiras teve de fechá-la ao público.

Alguns funcionários continuaram trabalhando no projeto, mas o sonho acabou quando os nazistas invadiram a Bélgica, em 1940. Os alemães removeram todo o conteúdo do local original do Mundaneum para abrir espaço a uma exposição sobre a arte do Terceiro Reich, e destruíram milhares de caixas com os cartões de índice. Otlet morreu em 1944, um homem derrotado e que não demoraria a ser esquecido.

Depois de sua morte, o que sobreviveu do Mundaneum original foi abandonado no velho edifício do departamento de anatomia na Universidade Livre de Parc Leopold, até 1968, quando um jovem estudante de pós-graduação chamado W. Boyd Rayward encontrou informações sobre a vida de Otlet. Depois de ler alguns dos trabalhos do inventor, ele visitou o escritório abandonado do projeto, em Bruxelas, onde descobriu uma sala com jeito de mausoléu, lotada de livros e montes de papéis cobertos por teias de aranha.

Rayward ajudou a promover uma retomada do interesse pelo trabalho de Otlet, um momento que terminou por gerar interesse suficiente para resultar no museu Mundaneum, em Mons.

Hoje, o novo Mundaneum apresenta traços instigantes da web que poderia ter surgido. Longas fileiras de gavetas estão ocupadas por milhões dos cartões de índice criados por Otlet, e mostram o caminho para um arquivo repleto de livros, cartazes, fotos, recortes de jornal e todo tipo de artefato. Uma equipe de arquivistas trabalhando em tempo integral conseguiu até o momento catalogar menos de 10% da coleção.

A imensidão do arquivo revela tanto as possibilidades quanto as limitações da visão de Otlet tal qual ele a concebeu. O inventor imaginava uma série de arquivistas profissionais analisando todas as informações que chegassem e catalogando-as, uma filosofia que contraria a hierarquia da web moderna, onde tudo funciona de baixo para cima.

“Creio que Otlet teria se sentido perdido diante da Internet”, diz François Lévie, sua biógrafa. Mesmo com um pequeno exército de bibliotecários profissionais, o Mundaneum original jamais teria acomodado o imenso volume de informação disponível hoje na web. “Não creio que o projeto dele pudesse crescer”, diz Rayward. “Nem mesmo em escala suficiente para atender à demanda do mundo de papel em que ele vivia”.

Apesar dessas limitações, a versão do hipertexto proposta por Otlet tinha vantagens importante sobre a web atual. Enquanto os links atuais da web servem como uma espécie de conexão muda entre documentos, Otlet imaginava conexões que portariam significado, por exemplo na forma de anotações que informariam se determinados documentos concordavam ou discordavam. Essa facilidade falta notoriamente aos hiperlinks modernos.

Otlet também antecipou as possibilidades das redes sociais, de permitir que os usuários “participem, aplaudam, ovacionem, cantem em coro”.

Embora ele muito provavelmente devesse terminar perplexo diante do ambiente do Facebook e do MySpace, Otlet anteviu alguns dos aspectos mais produtivos das redes sociais - a capacidade de trocar mensagens, participar de discussões e trabalhar em uníssono para a coleta e organização de documentos.

Alguns estudiosos acreditam que Otlet tenha antecipado algo como a web semântica, a estrutura emergente de computação baseada em assunto, que vem ganhando ímpeto entre cientistas do ramo como Berners-Lee. Como a web semântica, o Mundaneum aspirava não somente a criar links estáticos entre documentos mas a mapear relações conceituais entre fatos e idéias. “A web semântica tem algo de Otlet”, diz Michael Buckland, professor da Escola de Informação na Universidade da Califórnia em Berkeley.

Os curadores do atual Mundaneum esperam que o museu evite o destino de seu predecessor. Ainda que ele venha conseguindo garantir verbas, não atrai tantos visitantes.

“O problema é que pouca gente conhece a glória do Mundaneum, diz Stéphanie Manfroid, a diretora de arquivos da instituição. “As pessoas não se entusiasmam ao ver um arquivo”.

Tentando ampliar seu apelo, o museu organiza exposições regulares de cartazes, fotografias e arte contemporânea. Mas embora apenas alguns turistas aparecem para visitar o pequeno museu em Mons, a cidade pode em breve encontrar seu espaço no mapa da história tecnológica. Este ano, um novo morador planeja abrir um centro de dados bem perto da cidade. Seu nome é Google.

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